Governo lança ORTV? Valem a pena? Novas Obrigações do Tesouro

Governo lança ORTV? Valem a pena? Novas Obrigações do Tesouro

Nos últimos dias, temos assistido ao lançamento de uma nova série de Obrigações do Tesouro de Rendimento Variável (OTRV), mais concretamente as OTRV julho 2031. Trata-se de um produto financeiro que pode ser interessante para quem procura investir em instrumentos de dívida pública, mas sem estar preso a taxas fixas. Aqui explico o essencial para perceber se estas obrigações podem ou não fazer sentido no seu caso.

O que são as OTRV julho 2031?

As Obrigações do Tesouro de Rendimento Variável (OTRV) são valores mobiliários representativos de dívida da República Portuguesa, destinados ao público em geral, com um valor nominal de 1 000 euros por obrigação. Neste caso, as OTRV julho 2031 têm maturidade precisamente em julho de 2031, o que significa que, se as mantivermos até ao fim, só recebemos o capital investido de volta nessa data.

O aspecto que distingue estas obrigações de outros produtos semelhantes, como os Certificados de Aforro, é a taxa de juro variável. Para as OTRV julho 2031, a remuneração corresponde à Euribor a 6 meses acrescida de 0,25%, sem limite máximo e com um limite mínimo de 0,25%.

Ou seja, sempre que a Euribor sobe, podemos ganhar mais; e se descer, pelo menos garantimos aquele mínimo.

Como funciona o investimento?

O montante mínimo de subscrição é de 1 000 euros e o máximo de 1 milhão de euros. A subscrição pode ser feita até às 15h00 do dia 15 de julho de 2025 (faltam poucos dias, infelizmente), junto de qualquer instituição financeira autorizada em Portugal.

Os juros são pagos de forma semestral: a 18 de janeiro e a 18 de julho, com o primeiro pagamento previsto para janeiro de 2026. Além disso, as OTRV podem ser transacionadas em mercado secundário, o que significa que, se quisermos desfazer a nossa posição antes do prazo final, podemos vender as obrigações — mas sempre sujeitos às condições de mercado nesse momento.

Quais são os custos associados?

Apesar de à partida este ser um investimento em dívida pública, isso não significa que não existam despesas. É preciso contar com:

  • Comissões associadas à recolha de ordens de subscrição;
  • Despesas de custódia e eventuais comissões sobre o pagamento de juros e reembolso.

Estes valores variam consoante o intermediário financeiro onde for feita a subscrição, sendo obrigatória a sua comunicação ao investidor antes da realização da operação. É possível solicitar uma simulação dos custos e da rentabilidade junto do banco ou consultar o preçário atualizado no site da CMVM.

Comparação com Certificados de Aforro

A pergunta que muitos se colocam é: Vale mais investir nas OTRV julho 2031 ou nos Certificados de Aforro série F?

Ambos os produtos têm semelhanças: ambos são formas de dívida pública, ambos oferecem taxas variáveis ligadas à Euribor, mas há diferenças importantes:

  • Prazo: Os Certificados de Aforro têm maturidade de até 15 anos, enquanto as OTRV julho 2031 têm prazo fixo até julho de 2031.
  • Montantes mínimos e máximos: Nos Certificados, podemos começar a investir com apenas 100 euros, enquanto nas OTRV o mínimo já é de 1 000 euros.
  • Limites de remuneração: Os Certificados de Aforro série F têm um limite máximo de 2,5% na taxa de juro, enquanto nas OTRV não existe esse teto, o que permite beneficiar de subidas mais expressivas da Euribor.
  • Liquidez: Nos Certificados, há possibilidade de resgate antecipado com condições definidas; nas OTRV, é possível vender no mercado secundário, mas o preço poderá ser inferior ou superior ao valor investido, dependendo da procura e oferta.

Então, vale ou não a pena?

Na minha opinião, as OTRV julho 2031 podem fazer sentido para quem procura uma alternativa aos depósitos a prazo ou mesmo aos Certificados de Aforro, especialmente num contexto de subida de taxas de juro como o que temos vivido.

Têm o atrativo de não terem limite máximo de taxa, o que pode aumentar a rentabilidade, mas é preciso ter em conta que o capital só é garantido no final do prazo ou em venda no mercado, podendo existir flutuações no valor se quisermos sair antes da maturidade.

Eu vou investir nas novas Obrigações do Tesouro de Rendimento Variável (OTRV)?

Sem grandes rodeios: não vou investir nestas novas opções do governo, embora reconheça que possam ser interessantes para muitas pessoas. O facto de terem baixo risco — sendo emitidas pelo Estado — e não existirem tetos máximos, ao contrário dos Certificados de Aforro, torna-as apelativas.

No meu caso pessoal, continuo a preferir soluções como os Depósitos a Prazo da Klarna, onde tenho investimentos há cerca de 3 anos, com taxas de juro a rondar os 2,74% e proteção de capital até 100.000€, de acordo com as regras aplicáveis aos Depósitos a Prazo. Sinto que, para o meu perfil, esta solução oferece um equilíbrio entre segurança e rendimento.

Naturalmente, cada pessoa tem as suas preferências. Para quem procura alternativas mais simples, com montantes mais baixos e flexibilidade nos resgates, os Certificados de Aforro podem continuar a ser a escolha mais confortável, sobretudo pela possibilidade de levantar o dinheiro sem grandes complicações.

Seja qual for a decisão, aconselho sempre a pedir simulações de custos e a consultar o memorando oficial da emissão antes de investir. Dessa forma, garantimos que estamos a tomar uma decisão informada e adequada ao que procuramos.

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